Vacina experimental para o HIV consegue neutralizar variedades do vírus em animais, diz estudo

Teste foi feito em camundongos, porquinhos-da-índia e macacos. Estudo preliminar em humanos deve ter início em 2019. Laços representam a luta contra a Aids Photo: Jens Kalaene/dpa/AFP/Arquivo Cientistas desenvolveram uma vacina experimental para o HIV capaz de neutralizar dezenas de variedades do vírus. A descoberta foi publicada nesta segunda-feira (6) na publicação científica "Nature Medicine" por pesquisadores do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID), nos EUA. Baseada na estrutura de um local vulnerável no HIV, a vacina induziu a produção de anticorpos em camundongos, porquinhos-da-índia e macacos, que neutralizaram dezenas de variedades de HIV de todo o mundo. "Os cientistas usaram seu conhecimento detalhado da estrutura do HIV para encontrar um local incomum de vulnerabilidade ao vírus e projetar uma vacina nova e potencialmente poderosa", disse Anthony S. Fauci, diretor do NIAID. "Este estudo é um passo em frente na busca contínua de desenvolver uma vacina segura e eficaz contra o HIV " Um estudo preliminar em humanos já está previsto para começar no segundo semestre de 2019. O relatório divulgado trata de uma das duas abordagens complementares que os cientistas estão trabalhando para desenvolver uma vacina contra o HIV. Os cientistas primeiro identificam anticorpos potentes contra o HIV que podem neutralizar muitas variedades- cepas- do vírus, e então tentam extrair esses anticorpos com uma vacina baseada na estrutura da proteína de superfície do HIV onde os anticorpos se ligam. Ou seja, os cientistas começam com a parte mais promissora da resposta imune e trabalham para desenvolver uma vacina que induza esta mesma resposta. Achar a cura ou 'controlar' a Aids: metas dividem recursos e pesquisas na luta contra o HIV Nos últimos anos, pesquisadores descobriram muitos anticorpos naturais que podem impedir que múltiplas variedades de HIV infectem células humanas em laboratório. Cerca de metade das pessoas que vivem com o HIV produzem os chamados anticorpos "amplamente neutralizantes", mas geralmente apenas após vários anos de infecção - muito depois do vírus ter se estabelecido no corpo. Os cientistas identificaram os lugares, ou epítopos do HIV, onde cada anticorpo amplamente neutralizante se liga. A vacina experimental descrita no relatório desta segunda é baseada em um destes epítopos chamado peptídeo de fusão do HIV, identificado por cientistas do NIAID em 2016. O peptídeo de fusão, uma pequena seqüência de aminoácidos, faz parte do pico na superfície do HIV que o vírus usa para entrar nas células humanas. De acordo com os cientistas, este epítopo é particularmente promissor para uso como vacina porque sua estrutura é a mesma na maioria das variedades do HIV, e porque o sistema imunológico claramente o "vê" e produz uma forte resposta imunológica a ele. Os cientistas testaram a vacina em camundongos para analisar a resposta do sistema imunólogico deles. Posteriormente, usaram a mesma vacina em porquinhos-da-índia e macacos e tiveram sucesso na resposta imunológica, aumentando as expectativas de que a vacina pode funcionar em diferentes espécies. Os cientistas agora estão trabalhando para melhorar a vacina, incluindo torná-la mais potente e capaz de alcançar resultados mais consistentes com menos injeções.
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