Febre maculosa: saiba mais sobre a doença, seus sintomas e como evitar a infecção que pode levar à morte

Estudante de 15 anos, de Salto (SP), morreu infectada pela doença nove dias após sentir os primeiros sintomas. Médico infectologista explica como é feito o tratamento. Carrapato-estrela é o responsável por transmitir a febre maculosa CDC/ Dr. Christopher Paddock/ James Gathany A morte de uma adolescente de 15 anos por febre maculosa, em Salto (SP), no fim de semana, fez ressurgiu a preocupação sobre a doença transmitida pelo carrapato-estrela. Nove dias após sentir os sintomas da doença, a estudante Laura Bertajoni morreu em um hospital de Campinas. No atestado de óbito consta que a causa da morte foi febre maculosa, mas o laudo laboratorial ainda não foi emitido. De acordo com o Ministério da Saúde, somente neste ano 62 pessoas foram infectadas pelo vírus em todo o Brasil. Desse total, 16 pessoas morreram, o que representa 25%. A região sudeste do país concentra a grande maioria dos casos, sobretudo os estados de Minas Gerais e São Paulo - onde morreram 14 das 16 vítimas da doença. Apesar da taxa de letalidade da doença, ela é curável, desde que seja tratada logo no início. Números da febre maculosa Transmissão A febre maculosa é uma doença infecciosa que pode atingir pessoas de todas as idades, independente das condições de higiene e saneamento básico, por exemplo, já que o carrapato se hospeda até em animais domésticos. De acordo com o médico infectologista Carlos Lazar, professor da PUC-Sorocaba, a transmissão ocorre depois que o carrapato pica um animal infectado pela Rickettsia rickettsii. Quando o carrapato que carrega a bactéria pica o ser humano, a doença é transmitida. Não há contágio pelo ar. O especialista explica que o vírus da febre maculosa pode ser transmitido por três espécies de carrapatos, mas o principal é o carrapato-estrela. "A bactéria aparece mais comumente nos carrapatos presentes em capivaras, mas o aracnídeo pode estar em cavalos ou até em cachorros domésticos que tenham contato com animais silvestres", afirma. O ser humano pode ser picado pela larva do carrapato ou pela ninfa, que é a fase intermediária. Mas a dor no local só é percebida se a picada por de um carrapato adulto. Capivara é o animal transmissor mais comum, mas não é o único Alcides Rocha/VC no TG Capivaras O biólogo Nelson Rodrigues explica que carrapatos infectados disseminam a bactéria principalmente ao se alimentarem de sangue de mamíferos, como a capivara, e carrapatos não infectados podem contrair a bactéria ao se alimentarem de sangue de um mamífero infectado. Nelson esclarece que o carrapato macho também pode transmitir a bactéria para as fêmeas através da reprodução. O biólogo também explica que a capivara não fica doente ao carregar a bactéria. "Apenas cães e humanos exibem doenças clinicamente reconhecíveis e, portanto, a capivara não tem a doença, é apenas o animal hospedeiro da bactéria", diz. De acordo com o biólogo, é difícil determinar a origem da bactéria, mas ela deve existir há milhares de anos e deve estar associada aos mamíferos há muito tempo. Sintomas e diagnóstico Os sintomas da doença podem aparecer de dois a sete dias após a picada. Os principais sinais são: Febre; Dor muscular; Vômito; Diarreia; Dores de cabeça; Manchas vermelhas nas extremidades do corpo. O médico Carlos Lazar explica que nem sempre as manchas avermelhadas aparecem no paciente, o que pode dificultar o diagnóstico. Por isso, a principal forma de descobrir a doença é averiguar se a pessoa que apresenta os sintomas esteve em uma área de mata ou próxima de animais transmissores. O paciente, tendo a certeza que foi picado pelo carrapato, ou apresentando sintomas característicos de febre maculosa, deve procurar um médico e iniciar o tratamento. Lazar afirma que a medicação é indicada mesmo antes de sair o laudo do exame de sangue. Tratamento O tratamento mais efetivo no combate à febre maculosa é realizado com antibióticos. Segundo o médico infectologista, a medida só será eficaz uma semana depois do início da medicação. O médico enfatiza que, quanto mais rápida a descoberta da febre maculosa, maior a chance de um tratamento eficaz. A demora no diagnóstico e início da medicação pode acarretar em falências renais e hepáticas e, posteriormente, levar a morte. Lazar afirma que, em caso de cura do paciente, em uma semana a pessoa já apresenta melhora e pode receber alta médica. Prevenção Não exite vacina contra a febre maculosa. A forma mais eficaz de se proteger, segundo o médico, é retirar o carrapato do corpo em até seis horas após a picada. "A pessoa picada não deve espremer ou queimar o animal, já que isso facilitaria a liberação de bactéria e infeccção por meio do carrapato", alerta o doutor Carlos Lazar. A orientação é retirar o aracnídeo com a ajuda de uma pinça ou procurar o posto de saúde mais próximo para fazer a remoção correta. Outra forma de proteção é usar roupas de mangas comprimidas e botas quando entrar em área de mata, deixando menos partes possíveis do corpo expostas. Também é indicado usar roupas claras, já que isso facilita enxergar o carrapato. Repelentes contra insetos ajudam a evitar a aproximação do carrapato. Veja mais notícias da região no G1 Sorocaba e Jundiaí
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