Eclipse solar total será visível no Chile e na Argentina; teste que provou teoria de Einstein será refeito


G1 e TV Globo acompanharão o fenômeno no Observatório La Silla, o primeiro do Observatório Europeu do Sul (ESO) construído no Chile. Próximo eclipse do tipo será visto no Brasil apenas em 2045. VÍDEO: Entenda como ocorre um eclipse solar total Um eclipse solar total poderá ser visto no Chile e na Argentina na próxima terça-feira (2). Em algumas áreas do Brasil ocorre de forma parcial, já que estamos fora da área que será abraçada pela sombra resultante do alinhamento entre Sol, Lua e Terra. Quem estiver dentro desta faixa dos países vizinhos vai experimentar um privilégio visual: a Lua vai bloquear os raios e, por quase 2 minutos, só será possível ver a coroa do Sol. O fenômeno só ocorrerá no Brasil em 2045. Se aos brasileiros resta esperar, a comunidade científica celebra o fato de o dia virar noite justamente em uma região onde está um centro de pesquisa com grandes telescópios: o Observatório La Silla, próximo à cidade de La Serena, no Chile. O G1 e a TV Globo acompanharão o fenômeno direto do local e com transmissão em tempo real. Localização do Observatório La Silla, no Chile Guilherme Luiz Pinheiro/G1 Em La Serena, a fase parcial começa às 15h23 e a total às 16h39 (às 16h23 e 17h39 no Brasil, respectivamente). Os eclipses totais do Sol, apesar de ocorrerem com certa frequência, não acontecem nos mesmos lugares sempre. Os astrônomos dizem que provavelmente, com os ciclos de alternâncias dos locais, os terráqueos terão uma única chance de assistir na vida. O fenômeno visível em 2 de julho não será um dos mais longos – em alguns casos, os eclipses solares podem chegar a 7 minutos de escuridão, mas, neste caso, ocorrerá em 1 minuto e 52 segundos. A faixa de terra com a versão total engloba parte do Chile e da Argentina. Os hotéis nessas regiões estão lotados, com 96% de ocupação, e com preços exorbitantes – é possível encontrar diárias por até R$ 30 mil. Pesquisas científicas É raro a sombra coincidir com a localização de um observatório com grandes telescópios. Segundo o Observatório Europeu do Sul (ESO), nos últimos 50 anos foram apenas duas vezes: uma em 1961, no L'Observatoire de Haute-Provence, na França; e em 1991, no Mauna Kea, no Havaí. Agora no deserto do Chile, os anfitriões abrirão as portas para 1 mil visitantes. Além da festa, os cientistas do La Silla resolveram aproveitar a oportunidade para fazer pesquisas extras. Eles vão repetir o experimento científico feito em 1919 em Sobral, no Ceará. Com fotos do céu antes e depois do eclipse, os pesquisadores que estiveram no Ceará conseguiram imagens que provaram que a força da gravidade do sol altera até o caminho da luz percorrida por outras estrelas até a Terra. Foi o passo decisivo para comprovar a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Previsão de como será a visualização do eclipse no Observatório La Silla, no Chile ESO Outros estudos também serão feitos durante o eclipse. O momento ajuda na observação da coroa solar. O Sol, inclusive, tem alguns mistérios que estão em pesquisa pelas agências espaciais: saber mais sobre os ventos solares e entender os motivos de atmosfera externa ser mais quente do que a superfície. Missões espaciais, duas neste ano (PUNCH e TRACERS) e uma em 2018 (Parker Solar Probe), foram lançadas em busca de novas descobertas solares. No entanto, o momento do eclipse é ótimo para fazer imagens da coroa, a atmosfera externa, e buscar informações sobre o Sol. Isso também ocorrerá também em 2 de julho. "Temos cada vez câmeras melhores, cada vez mais rápidas. Então, nesse eclipse vamos ter imagens muito rápidas, captar pequenos movimentos que não eram detectáveis antes na coroa", explica Eugênio Reis, pesquisador do Observatório Nacional. Lua cobre o sol durante eclipse total em 21 de agosto de 2017 nos EUA Ted S. Warren/AP Photo Agenda e tipos de eclipse Abaixo, veja uma relação com os tipos de eclipse, a agenda e localização: Eclipse solar total: Sol, Lua e Terra alinhados, com o Sol totalmente encoberto pela Lua da perspectiva da Terra. Em 2019, teremos no dia 2 de julho no Chile. Eclipse solar parcial: Sol, Lua e Terra, com Sol parcialmente encoberto pela Lua da perspectiva da terra. O próximo será em 30 de abril de 2022, no Pacífico e na América do Sul. Eclipse solar anular: Sol, Lua e Terra alinhados, mas com o Sol mais próximo e a Lua mais distante da Terra. Com isso, um anel de luz é visto ao redor do Sol. Em 2019, teremos em 26 de dezembro na Ásia e Austrália. Teremos outro em 21 de junho de 2020, na África, parte da Europa e Ásia. Eclipse solar híbrido: Sol, Lua e Terra alinhados, mas a curvatura da Terra faz com que seja observado como anular em alguns locais e total em outros. O próximo visto será em 20 de abril de 2023, na Indonésia, Austrália, Papua-Nova Guiné. Eclipse lunar total: Sol, Terra e Lua alinhados, com a Lua totalmente encoberta pela sombra da Terra. O próximo ocorre em 26 de maio de 2021, na Ásia, Austrália, Pacífico e Américas. Eclipse lunar parcial: Sol, Terra e Lua alinhados, com a Lua parcialmente encoberta pela sombra da Terra. Em 2019, teremos no dia 16 de julho na América Latina. Eclipse lunar penumbral: Sol, Terra e Lua alinhados, mas com a Lua na parte da penumbra (sombra mais fraca causada pela Terra). Próximo em 10 de janeiro de 2020, na Europa, África, Ásia e Austrália. Como a frequência é calculada? Nem sempre os humanos souberam calcular a data dos eclipses na Terra. Os chineses achavam que um dragão comia o Sol. Os egípcios, uma serpente. No final, era sempre um mau presságio sem coincidência geométrica. "Não conheço nenhum povo antigo que comemorasse o eclipse, nenhum deles considerava um bom presságio. Todos esses eventos que fugiam da previsibilidade eram um prenúncio de algo incomum", explica o astrônomo Hélio Jacques Rocha Pinto. Alguns falam a descoberta é dos babilônios, outros dos chineses, mas a verdade é que a série Saros mudou a forma de enxergar o fenômeno. Observando o céu, os humanos descobriram que os eclipses se repetem a cada 18 anos, 11 dias e 8 horas. Com esse cálculo unido à rotação da Terra, a agência espacial americana (Nasa) consegue saber todos os futuros acontecimentos até depois do ano 3000.

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