Cientista brasileiro envia 'minicérebros' para o espaço para desvendar reação das células

Material ficará cerca de três semanas na Estação Espacial Internacional, que receberá organóides pela primeira vez na história. O pesquisador brasileiro Alysson Muotri Arquivo Pessoal/Alysson Muotri A equipe do cientista brasileiro Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), vai enviar os "minicérebros" que usa em pesquisas para o espaço. As pequenas versões do órgão estarão dentro de uma caixa. O lançamento para a Estação Espacial Internacional (ISS) está prevista para ocorrer neste domingo (21) e será a primeira vez que a base irá receber organoides deste tipo. A ideia é entender como as células nervosas podem reagir às condições extremas fora da Terra. "Minicérebros" são a versão de laboratório do órgão mais complexo do ser humano, mas numa muito simplificados e reduzidos. Eles não têm uma estrutura completa e não têm consciência, mas simulam de forma rudimentar o tipo de organização celular que existe no cérebro humano. Eles são usados em estudos que buscam entender a reação a tratamentos, o desenvolvimento celular cerebral, e como são expressos genes de algumas condições ou doenças. Servem, por exemplo, para pesquisas sobre o autismo da equipe da UCSD liderada por Muotri. Leia também: Empresas desenvolvem óleo de canabidiol e mapa genético contra autismo Viagem ao espaço traz conhecimentos para a saúde O projeto é chamado pela ISS de "The Effect of Microgravity on Human Brain Organoids" ("Efeito da microgravidade em organóides do cérebro humano"). O nome da missão que levará o projeto, escolhido pela Nasa, é BOARDS (Organoides cerebrais em pesquisa avançada desenvolvida no espaço, tradução da sigla em inglês). O estudo busca responder: Qual é o efeito da microgravidade nos "minicérebros"; Qual é a resposta dos "minicérebros" ao estresse e outros estímulos que serão aplicados; Se a microgravidade tem algum efeito na sobrevivência e função celular, integridade metabólica e regulação dos neurônios. "A gente sabe que lá no espaço os 'minicérebros' estarão crescendo de uma forma diferente. Seria isso uma vantagem ou uma desvantagem para o desenvolvimento do cérebro humano?", diz Alysson. "E, numa futura colonização do espaço pelos humanos, entendendo os impactos negativos, a gente poderia tentar preparar o cérebro humano antes de ir", completa. No final do experimento, que tem duração de três semanas, os cerca de 100 "minicérebros" retornarão à Terra. A equipe de pesquisadores da UCSD irá medir a contagem das células, os indicadores de metabolismo e a expressão dos genes. Patrick O’Neill, da comunicação da ISS, confirmou ao G1 o envio do material está previsto para o domingo. Já Muotri informou que o lançamento pode atrasar e ocorrer na segunda-feira (22). "Esta será a primeira vez que uma carga com organoides cerebrais será lançada para a Estação Espacial Internacional. Outros organoides, pequenas massas vivas de células que interagem e crescem, já foram enviados para outras missões", disse O’Neill. Minicérebros são pequenas versões do principal órgão nervoso Reprodução Outras pesquisas Em janeiro deste ano, a equipe liderada por Alysson desvendou a relação entre um defeito genético e comportamentos típicos do autismo, transtorno que afeta o desenvolvimento do cérebro. Há dois anos, o uso de "minicérebros" também ajudou a bloquear a ação de uma doença neurológica, a síndrome de Aicard-Goutierres. Como foram criados os 'minicérebros' Arte/G1
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