Corrida entre União Soviética e EUA pelo primeiro pouso na Lua durou 15 anos; relembre


Neste sábado (20), a mais famosa conspiração humana completa 50 anos: em 1969, os EUA 'conquistaram' a Lua com a Apollo 11, em uma disputa inaugurada pela URSS em 1954, com o Sputnik 1. Edwin Aldrin retirando equipamentos do módulo Eagle, fotografado por Neil Armstrong Divulgação/Nasa Em 20 de julho de 1969, o módulo lunar Eagle (águia, em inglês) pousava suavemente na Lua, de onde desembarcariam os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin. A missão ainda tinha Michael Collins como piloto do módulo de comando, que permaneceu em órbita enquanto seus companheiros de viagem estavam na superfície lunar. A conquista do satélite foi um feito espetacular pelos desafios tecnológicos impostos em seu desenvolvimento. Era preciso planejar uma missão em que fosse possível levar seres humanos à superfície da Lua e trazê-los de volta em segurança. Esse foi o desafio lançado pelo presidente norte-americano John Kennedy em 1961. Com seu famoso discurso ao Congresso, Kennedy estabeleceu como prazo o fim da década de 1960 para isso acontecer. E não se tratava de uma missão científica, mas sim de uma missão política e estratégica. União Soviética deu a partida Sete anos antes do discurso, em 1954, a União Soviética havia lançado o primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, disparando a corrida espacial. O sucesso do lançamento mostrou ao mundo, e principalmente aos americanos, que a União Soviética estava à frente de todos em termos de poderio militar. Se eles conseguiram colocar em órbita uma bola de metal cheia de antenas que orbitava a Terra, passando sobre os EUA a cada 90 minutos, poderiam muito bem colocar uma ogiva nuclear em qualquer lugar do planeta. O mundo viva a Guerra Fria, uma disputa de forças entre URSS e EUA pelo posto de nação mais poderosa do planeta. O sucesso do programa espacial soviético mostrou que, naquele momento, os EUA eram militarmente inferiores. Logo após o lançamento do Sputnik 1, os EUA criaram a sua agência espacial, a Nasa, para desenvolver sua própria política de conquista do espaço. Em 12 de abril de 1961, a União Soviética deu mais uma prova de sua superioridade colocando em órbita o primeiro ser humano, o cosmonauta Yuri Gagarin. A agência norte-americana respondeu com um voo suborbital em 5 de maio do mesmo ano, mas o feito de Alan Shepard não se comparava à missão soviética. Os 50 anos do homem na Lua EUA ainda engatinhavam A grande diferença entre os dois programas espaciais era em relação aos foguetes lançadores: enquanto a União Soviética contava com foguetes poderosos, os EUA ainda engatinhavam ao desenvolver seu lançador. Durante duas semanas após o feito histórico de Gagarin, o presidente Kennedy ouviu cientistas, engenheiros e, principalmente, militares, para 20 dias depois do voo do cosmonauta soviético fazer o seu discurso intitulado “As necessidades nacionais urgentes”, em que conclamava chegar à Lua em menos de dez anos. A partir disso, a Nasa se concentrou em desenvolver um foguete com potência o suficiente para levar três pessoas ao espaço, incluindo um módulo de pouso lunar com capacidade para duas pessoas. Enquanto isso, os soviéticos colocariam mais cosmonautas para orbitar a Terra, inclusive a primeira mulher a viajar no espaço. Valentina Tereshkova voou em 16 de junho de 1963 a bordo da Vostok 6. A Nasa só voaria uma astronauta mulher em 1983, fazendo de Sally Ride a terceira astronauta mulher da história. O programa de conquista da Lua foi batizado de missão Apollo, mas, antes dela, outros programas desenvolveram etapas anteriores, mas necessárias. Entre eles estavam o programa Mercury e o Gemini, de missões tripuladas, além das missões de reconhecimento da superfície lunar, como a Ranger e a Surveyor. Local do pouso do módulo Eagle, visto pela sonda LRO Divulgação/Nasa O pouso na Lua Lançado pelo foguete Saturno V, a missão Apollo 11 decolou em 16 de julho de 1969 e entrou em órbita lunar no dia 19. O pouso se deu no dia 20, depois de momentos de tensão durante os estágios finais. Armstrong e Aldrin encontraram o ponto de pouso muito mais complicado do que o previsto, pois havia muitas rochas que impediam a "alunissagem" em local adequado. Isso obrigou Armstrong a pilotar a Eagle, manobrando até encontrar uma área mais “limpa”, enquanto um Aldrin nervoso ia ditando a quantidade de combustível restante. O temor de Aldrin, e de todos na sala de controle em Houston, era usar todo o combustível da etapa de pouso. Se isso acontecesse antes de tocar o solo, a Eagle deveria imediatamente abortar a missão e retornar à orbita lunar. Caso contrário, não teria combustível suficiente para decolar novamente. Aldrin se recorda que Armstrong (falecido em 2012) era uma pedra de gelo: frio e extremamente calmo. Se tinha alguém em todo o programa espacial que pudesse manobrar o módulo de pouso nessas condições, esse alguém era ele. O pouso foi tão suave que a Eagle ficou inclinada, a última etapa da manobra era simplesmente deixar o módulo despencar em queda livre por alguns metros para cravar estacas abaixo das pernas de sustentação. Após o pouso, havia um período de cinco horas de repouso antes de sair da Eagle, mas os dois astronautas estavam pilhados demais para dormir. A caminhada lunar foi antecipada e coube a Neil Armstrong a honra de ser o primeiro homem a pisar na Lua. Logo em seguida, Edwin Aldrin descia as escadas externas da Eagle e ambos começaram a instalar equipamentos científicos, como sismógrafos, antenas e um painel refletor que permite até hoje refletir feixes de raio laser de volta à Terra. Além disso, os astronautas recolheram rochas lunares (um total de 6 kg) sem nunca se afastarem mais do que 60 metros do módulo de pouso, durante 2 horas e 30 minutos de atividade. Tudo era experimental nessa missão, e não se sabia ao certo se os trajes espaciais iriam aguentar mais do que isso. Apenas um não pisou na Lua Depois de o módulo permanecer menos de 22 horas na superfície da Lua, Armstrong e Aldrin decolaram para encontrar Collins em órbita. Durante esse tempo todo, o astronauta aproveitava o ponto de vista privilegiado para tirar fotos mais detalhadas que pudessem ajudar a escolher novos pontos de pouso para as futuras missões lunares. Quando perguntado como ele se sentia estando tão perto da Lua, mas sem poder tocá-la, Collins respondeu que no início tinha ficado, de fato, muito triste. “Mas a minha missão era trazer em segurança os dois primeiros homens a caminhar na Lua. Eu não queria passar para a história como o homem que arruinara uma missão dessas”, disse ele posteriormente, em uma entrevista. A cápsula com os três astronautas pousou no Oceano Pacífico e foi resgatada por uma equipe da marinha americana. Logo em seguida, os astronautas foram confinados em quarentena por causa da incerteza de que haveria micro-organismos na Lua que causassem alguma contaminação. Não existem. A Apollo teve um total de sete missões, das quais apenas uma não conseguiu pousar na Lua, a Apollo 13. Mas ela conseguiu retornar seus tripulantes em segurança. Em 1972, o programa Apollo foi encerrado com a missão de número 17. De lá para cá, nem a Nasa, nem qualquer outra agência tentou mandar astronautas até a Lua. Isso tem um motivo muito simples: não há mais uma disputa entre nações que motive um investimento tão alto. Nova corrida espacial Recentemente, a China anunciou seus planos de enviar taikonautas à Lua, dentro do seu programa espacial que já demostrou claramente ser avançado o suficiente para manter uma estação espacial, e também para pousar uma sonda no lado oculto dela. Os EUA também anunciaram que estarão de volta em 2024, mas com um foguete ainda em desenvolvimento. Acho pouco provável. O legado da missão Apollo vai muito além das teorias conspiracionistas. Ainda que tenha sido motivada por fins militares, o desenvolvimento de novas tecnologias acabou sendo incorporado ao nosso dia a dia. Velcro e teflon são sempre apontados como filhotes do programa espacial, mas o fato é que eles já existiam na década de 1960, quando ele começou. De fato, o programa espacial impulsionou a miniaturização de componentes eletrônicos, principalmente computadores. Podemos incluir também monitores de saúde que registravam batimentos cardíacos, pressão sanguínea e temperatura dos astronautas, e que hoje estão em qualquer hospital. Além disso, meios de enriquecer e conservar alimentos, purificação de água, os tais cobertores térmicos (aquelas folhas metálicas que refletem o infravermelho), miniaturização de câmeras e por aí vai. Para finalizar, não caia nessa de repetir que o homem nunca foi à Lua. Se nem os soviéticos, os principais interessados em descobrir que tudo não passou de armação, nunca duvidaram, não tem por que achar isso. Initial plugin text

Texto completo




Posts Relacionados
          Envie por E-mail  

0 comentários: