Capacetes da 1ª Guerra protegem contra efeitos de explosão tão bem quanto os modernos, diz pesquisa

E um modelo francês se saiu ainda melhor do que os fabricados hoje, segundo constataram cientistas da Universidade Duke, na Carolina do Norte. Gif mostra um capacete francês da Primeira Guerra Mundial sendo atingido por uma onda de impacto feita para imitar um ataque de artilharia alemã a poucos metros de distância. Joost Op 't Eynde, Duke University Capacetes fabricados na Primeira Guerra Mundial, no início do século 20, protegem a cabeça contra ondas de impacto tão bem quanto os mais modernos – e um modelo francês deu até mais proteção que os de hoje em dia, constataram cientistas da Universidade Duke, na Carolina do Norte. Os pesquisadores testaram 4 modelos de capacetes com ondas causadas por explosões próximas, três deles da época da Primeira Guerra: um fabricado pelo Reino Unido e pelos Estados Unidos (modelo Brodie), outro pela França (Adrian) e outro pela Alemanha (Stahlhelm). O quarto é um modelo moderno, o Advanced Combat Helmet, também dos EUA. Os resultados das análises foram publicados no dia 13 na revista "Plos One". "Apesar de termos constatado que todos os capacetes davam uma quantidade substancial de proteção contra explosões, ficamos surpresos ao descobrir que os capacetes de 100 anos de idade se saíram tão bem quanto os modernos", disse Joost Op't Eynde, estudante de doutorado em engenharia biomédica em Duke em primeiro autor do estudo. "Na verdade, alguns capacetes históricos se saíram melhor em alguns aspectos", completou. Capacete francês da Primeira Guerra Mundial aparece embaixo de um tubo que testa o quão bem ele protege a cabeça de uma onda de impacto. Joost Op 't Eynde, Duke University Eles revezaram os quatro modelos na cabeça de um manequim, que tinha sido equipado com sensores em vários locais. Usaram, então, um tubo de choque para canalizar a onda causada por uma explosão. Os capacetes foram testados com ondas de força variável, cada uma correspondendo a um tipo diferente de projétil de artilharia alemã, explodindo a uma distância de 1 a 5 metros de distância. A quantidade de pressão experimentada no topo da cabeça foi então comparada a gráficos de risco de lesão cerebral criados em estudos anteriores. Apesar de todos os modelos terem proporcionado uma redução de 5 a 10 vezes no risco de hemorragia cerebral moderada, o risco para alguém usando o modelo francês, Adrian, fabricado por volta de 1915, foi menor que em qualquer outro testado - incluindo o moderno. "O resultado é intrigante, porque o capacete francês foi fabricado com materiais semelhantes aos dos alemães e britânicos e até tinha uma camada mais fina", disse Op't Eynde. "A principal diferença é que o capacete francês tinha uma crista. Embora tenha sido projetada para desviar estilhaços, esse recurso também pode ter desviado ondas de choque". O modelo francês, por outro lado, não mostrou a mesma vantagem em sensores de pressão aplicados em nenhum outro local da cabeça. Nas orelhas, por exemplo, o desempenho parecia ser determinado pela largura da aba do capacete e por quanto da cabeça ele realmente cobria. Pioneiro Op't Eynde acredita que o estudo seja o primeiro a avaliar as capacidades protetoras de capacetes históricos contra explosões. E isso, diz a universidade, é por um bom motivo: a ciência só começou a estudar os danos trazidos ao cérebro por ondas causadas por impactos recentemente. Esse tipo de onda é capaz de matar por estrago nos pulmões bem antes de causar até mesmo pequenos danos ao cérebro. (Mas, depois do surgimento das armaduras, os pulmões dos soldados estão bem mais protegidos). Caçadores de tesouros recuperam garrafas de licor e conhaque da Primeira Guerra Mundial no fundo do mar Já capacetes foram originalmente pensados para proteger a cabeça contra balas ou estilhaços. Apesar de outros estudos sugerirem que capacetes modernos dão algum grau de proteção contra ondas de choque, nenhum capacete em uso hoje foi desenvolvido especificamente para proteger contra explosões, diz a Duke. Os resultados da pesquisa indicam que os capacetes podem desempenhar um papel importante na prevenção de traumas na cabeça causados por explosões. A análise pode, ainda, ajudar a melhorar os futuros modelos pela escolha de materiais diferentes, aplicação deles em camadas ou mudanças na geometria. Segundo os pesquisadores, só essa descoberta já mostra a importância de continuar esse tipo de pesquisa para projetar capacetes que possam absorver melhor ondas de choque causadas por explosões próximas. "Com todos os materiais modernos e recursos de fabricação que possuímos hoje, deveríamos poder melhorias no design do capacete que protejam melhor contra ondas de explosão que os capacetes de hoje ou de 100 anos atrás", declarou Op 't Eynde.
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