Pesquisa levanta dados sobre idosos para ajudar no combate à pandemia

FGV Social mapeou áreas de concentração de mais velhos para indicar onde ações podem ter maior eficácia para proteger essa população Saída do forno, a pesquisa “Onde estão os idosos? Conhecimento contra o Covid-19” foi produzida pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas. Seu objetivo é disponibilizar dados que ajudem no combate ao novo coronavírus, como explica o economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social: “há informações e mapas detalhados que podem auxiliar não apenas gestores de políticas públicas, mas também grupos da sociedade civil, enfim, todos os que se preocupam em diminuir os efeitos da pandemia”. O economista Marcelo Neri, diretor do FGV Social: “o protagonismo dos idosos é evidente” FGV/Divulgação Segundo os cálculos sobre os microdados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, em 2018 o Brasil tinha 15,4% da sua população com 60 anos ou mais, o equivalente a cerca de 32 milhões. Os idosos correspondem a 19,3% das pessoas de referência, ou seja, chefes de domicílio, um índice acima da média geral (10,53%), o que corrobora a ideia deles como arrimos de família. Para Neri, fica claro o papel de provedor que compete aos indivíduos mais velhos: “o protagonismo dos idosos é evidente. Eles dispõem de uma renda estável, já que compõem boa parte do universo dos que recebem as aposentadorias da previdência social e os benefícios de prestação continuada. Ao contrário dos trabalhadores informais, são visíveis para a políticas de Estado e, de certa forma, ficam menos desprotegidos, o que pode mitigar os efeitos do Covid-19 para este grupo”. O fato de, por um lado, a renda dos velhos ser tão importante para a família, sugere uma maior dificuldade na política de isolamento. No entanto, por outro, domicílios com idosos são 25,6% menores em número de pessoas que a média. A próxima etapa da pesquisa, que será lançada em breve, vai justamente detalhar o perfil de quem mora com essa parcela da população. Sobre a distribuição geográfica, a unidade da federação que possui maior taxa de idosos é o Rio de Janeiro (13,06%), uma espécie de Flórida brasileira, seguido pelo Rio Grande do Sul (12,95%), São Paulo (11,27%) e Minas Gerais (11,19%). Em contrapartida, a Região Norte é a que apresenta o menor percentual: Roraima (5,26%), Amapá (5,75%), Amazonas (6,7%), Acre (6,9%) e Pará (7,07%) ocupam as últimas posições do ranking. A capital fluminense é a que apresenta o maior percentual de idosos (14,5%), principalmente em Copacabana, Flamengo, Ipanema e Leblon. A Região Administrativa da cidade com maior proporção de velhos projetada em 2020 é Copacabana, com 27,48%, número que corresponderia a um segundo lugar no ranking mundial se o bairro fosse um país. Em termos de periferia metropolitana, a do Grande Rio também é a que apresenta maior percentual de idosos do país (11,9%), com grande contingente de pessoas vulneráveis. O mapeamento serve como bússola para ações mais eficazes contra o coronavírus. Além da PNAD, serviram de base para o trabalho o censo e as informações de entidades como ONU e OMS.
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